Forex: O que muda são apenas os Zeros

Tempo de leitura: 9 minutos

forex-trader-olhando-monitorComo os Grandes Traders Se Dão Mal
By John A. Sarkett, Developer, Option Wizard*

Assim como um piloto, um policial ou um trapezista, o trader profissional sabe que precisa seguir as regras para permanecer vivo. Normalmente, este pensamento é o suficiente para manter a mente focada. Normalmente, ter essa consciência basta. Mas, ocasionalmente, isso se perde. Erros se seguem. As perdas aumentam. E outro grande operador sucumbe.

Grandes traders também se dão mal.

Como evitar esta trágica circunstância? Com a palavra, Ray Kelly, trader e instrutor profissional do Futures Industry Association: “Grandes traders operam mais zeros do que os pequenos traders, mas o processo é o mesmo” Kelly diz. “Ambos tem altos e baixos.

O catalisador que leva à destruição, segundo Kelly, é quase sempre o ego. O ego é o vírus Ebola da atividade de operador.

Contudo, existe um antídoto – equilíbrio, humildade e a habilidade de reconhecer e aceitar que se está errado. Eu ou você podemos adquirir essa doença? Claro que sim! O que pode ser feito para se proteger contra o ego e seus efeitos devastadores?

Kelly diz para prestar atenção redobrada em quatro áreas: auto-conhecimento, conhecimento do mercado, estratégia (plano) de operação e gerência de risco e capital. Responda às questões para si mesmo antes que o mercado o faça para você. Assim como a meditação e o exercício exigem, a atenção precisa ser constante no dia a dia para ter efetividade máxima.

Autoconhecimento

A primeira coisa quando entrar em sua sala de operação (provavelmente seu computador), deixe seu ego do lado de fora. Kelly define o ego como o senso de quem acreditamos ser: um trader, um religioso, um pai, um marido, etc. 

Quando o nosso ego inflado assume o trono, as regras ficam do lado de fora da sala. O egoísmo consome nossa saudável e natural precaução, pondo no lugar dela a ilusão de invencibilidade. Um ego desses destrói nosso sucesso, e até o sucesso do mais bem sucedido operador.

Sabendo que ocasionalmente falhará, o trapezista pratica com uma rede. Ele sabe que o corpo não é páreo para o concreto abaixo dele, e que sua existência depende de seguir estritamente as regras. O problema é que o ego não é um programa que pode ser facilmente desinstalado na mente do operador.

Ele está mais para o hardware. Você e eu vestimos esse ego. Ele se auto indentifica e não gosta de ser ignorado e deixado para trás. Mas, algumas vezes, ele sai de controle e sai da realidade. Algumas vezes você precisa decidir não ir junto com ele. E, para isso, é preciso ir contra si mesmo.

Existe algo no ser humano que deseja acreditar no herói, no guru, no campeão e, muitas vezes, desejamos ser essa pessoa. E se não podemos nos transformar no herói, é quase tão bom agir como ele – é um sonho tornando-se realidade!

Normalmente não podemos. Podemos apenas assistir ao herói do outro lado do balcão. Mas, nos mercados financeiros, você tem a oportunidade de participar diretamente ou ser o parceiro do herói. A glória dele torna-se a sua glória. E isso tem um apelo tão forte que alguns de nós perdem o senso das coisas. Veja isso!

Nos anos de 1980s, participei de um programa de gerenciamento de risco de uma conta de arbitragem em uma grande corretora, supostamente operada por supertraders.

Ascendendo ao posto de herói, o executivo da minha conta esperava que o retorno fosse de 60 a 100%, e se os resultados fossem medíocres, a expectativa era de obter retorno de 30%.

Centenas de operações (e comissões) depois, me entreguei à trabalhosa tarefa de reconstruir o histórico de operações e medir o retorno real da conta. Foi de 12%, o mesmo que a taxa média do mercado.

Contrastando com a maravilhosa imagem do trader herói dessa firma bilionária, o trader Jerry Parker diz “Nós sabemos que não sabemos o que estamos fazendo.”

Embora longe da verdade (ele quer dizer que não podemos predizer nada das taxas de juros, dos movimentos do mercado, do futuro), esse tipo de modéstia contrasta com o que foi dito por aqueles que prometem retornos espetaculares e, sem dúvida, é uma forma melhor e mais segura de navegar pelos oceanos do mercado.

Sua metodologia de operação é abrir posições seguindo a tendência na expectativa de obter poucos grande ganhos e várias perdas pequenas.

Definindo Sucesso

Enquanto nossa psique busca outros para admirar e copiar, ela não gasta tempo e esforço para definir para si mesmo o sucesso. Isso gera muito trabalho.

É mais simples e divertido tentar ser o herói. O que é sucesso? Para Ray Kelly, é ganhar de 200 mil a 300 mil por ano, retornos de 40%, não ter perdas fora dos limites impostos e a oportunidade de passar mais tempo com sua esposa e suas crianças.

Para definir seu próprio sucesso, é preciso que responda estas questões:

  • Quem eu sou?
  • Por que opero?
  • Como me preparo?
  • Quais minhas crenças a respeito de mim mesmo? E sobre operar?
  • Estou preparado para lidar com a pressão das operações?

Parece bem fácil? Já fez isso alguma vez? Kelly diz que “grandes verdades se desdobram ao nível do aluno. Quanto mais o aluno aprende, mais essas questões se aprofundam.”

Nossos conflitos acabam por emitir mensagens que sabotam nossas operações. Kelly relata o caso de um operador que perdeu seu filho em um trágico acidente. A partir dai ele começou a perder somas significativas na semana seguinte, como uma forma de se culpar pelo que aconteceu.

Outros grandes inimigos das operações de sucesso: o divórcio, mudanças no trabalho, traumas, doença ou qualquer coisa que crie distrações emocionais ou dor. Se você está em meio ao fogo vivenciando coisas assim, tire uma folga. Não opere até resolver seus conflitos. Não cometa o (caro) erro de imaginar que ignorando o problema ele irá embora.

Conhecimento do Mercado

Esse é o segundo pilar que você precisa se apoiar para evitar uma catástofre no mercado.

É preciso perguntar-se continuamente:
O que afeta os mercados?
Como afeta? Como as coisas podem mudar?
Quando você sabe que está errado?
O que você está tentando extrair dos mercados?

Como exemplo Kelly cita o exemplo de sucesso de David Druz, gestor do fundo Tactical Asset Management. Druz define exatamente o que seu sistema faz: “meu sistema de operação captura o capital que os hedgers usam para defender suas posições.”

Ele fez back teste do sistema e o quantificou, e agora ele sabe e espera que seu sistema gere cerca de 30% de perdas. Mas, com o tempo, ele atingiu excelentes resultados em razão do foco, da busca por entender seu mercado, manter boas regras de gestão do dinheiro e ter um horizonte de tempo realista com seu plano de operação.

Parte do conceito de conhecimento do mercado é definir quanto você espera ganhar nele. Se for um novato como os outros, é provável que queira dobrar o seu dinheiro.

Para um profissional como Jerry Parker, CEO do Chesapeake Capital, a resposta é muito mais modesta. Sua meta: 2% o mês.

Estratégia de Operação

Desenvolva seu sistema, um que você realmente possa seguir. Um sistema gerado a partir da sua personalidade e objetivos financeiros. Se suas idéias sobre o que deseja e como fará para alcançar isso são abstratas, então seus resultado também não serão realistas.

Teste seu sistema.
Quais as características dele?
É consistente?
Você entende porque funciona?
Ele funciona em todos os mercados?
É adequado para sua personalidade?

Gerenciamento do Risco

O ponto mais importante é que você precisa gerenciar seu risco. Não importa o tamanho do seu conhecimento de si mesmo e do mercado e como seu sistema é impressionante, sem gerenciar o risco você não durará.

Kelly diz que o operador que tem sucesso no longo prazo precisa responder às questões abaixo:
Quanto arriscar por trade?
(O risco varia de 0,5 a 5% do capital. Isso precisa se adequar ao seu sistema.)
Eu entendo meu risco?
Meu sistema é discricionário ou sistemático?
(uma abordagem sistemática utiliza todos os sinais gerados pelo sistema.Um sistema discricionário permite ao operador fazer exceções ao que ele compra e vende entre os sinais gerados.)
Onde coloco meus stops, e como eu os determino?
Quantifique o risco. Duas palavras que separam o mundos dos que tem sucesso daqueles que falham.

Perdas são esperadas e devem fazer parte do seu plano. Você não é um trader ruim por experimentá-las. Está tudo bem em estar errado, o que não pode é permanecer errado.

Existe uma diferença entre uma perda e um “drawdown”. Um “drawdown” é uma perda esperada e definida em sua estratégia. É parte dela. Se não tem uma estratégia, então isso é uma perda.

O gerenciamento de capital é essencial. Quando os amadores perdem, eles aumentam o tamanho de suas apostas, enquanto os profissional reduzem esse tamanho. Não tente abraçar o mundo em uma única operação.

Se o seu sistema é bom, com o tempo ele fará dinheiro. E crescer aos poucos é algo bom, seja razoável, não tente dobrar seu dinheiro no primeiro mês.

Duas Últimas Questões

Sou lucrativo?…
…E…
…Sendo lucrativo, eu posso atingir todo meu potencial?

Se a resposta é não, é preciso descobrir as razões e fazer mudanças. Se planeja continuar recebendo o que recebe, então continue fazendo o que já faz.

Assim como o piloto, o policial e o trapezista, você respeita as regras do jogo, os limites, respeita o fato de o concreto ser muito duro abaixo de você e você ser muito mole, e agindo assim você sobrevive. A alternativa a isso custa muito caro.


Credits
Ray Kelly is a veteran trader, financial consultant and seminar speaker. He passed away recently.R. Jerry Parker is CEO of Chesapeake Capital, Richmond, Virginia.
David Druz is CEO of Tactical Investment Management Fund.
Jerry Kopf is a partner in Benjamin & Jerold Discount Stock and Options Brokers


John Sarkett writes on and trades in the financial markets. Developer of Option Wizard software (option-wizard.com), he can be reached at jas@option-wizard.com. *Reprinted (and modified) with permission from John A. Sarkett

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